Dissertações 2016

.AUTOR: ALDRIN DA COSTA CRUZ
ORIENTADOR: GLAÚCIA MARIA COSTA TRINCHÃO
CO-ORIENTADOR: PALMIRA VIRGÍNIA BAHIA HEINE ALVAREZ
TITULO: O ÍNDIO NO LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA E A (DES)CONSTRUÇÃO DE REPRESENTAÇÕES PELO PROFESSOR ÍNDIGENA PATAXÓ
RESUMO:
Esta dissertação tem como objeto de estudo o índio no livro didático de história e a (des)construção de representações pelo professor indígena pataxó. A análise transitou entre os textos verbais e imagéticos do capítulo específico do livro didático de história que trata da temática indígena e o discurso de quatro professores pataxó que lecionam ou lecionaram a disciplina História na escola indígena Pataxó Coroa Vermelha, localizada no município de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia. Para a realização desta investigação na referida escola, foi necessário obter um conjunto de autorizações, a saber: do Cacique da aldeia Coroa Vermelha, da direção, do corpo docente a ser investigado, da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), bem como do Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (CEP), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). A pesquisa foi de natureza qualitativa, tendo a entrevista semiestruturada como instrumento principal para a coleta dos dados, além dos textos verbais e imagéticos presentes no livro didático. Os dados foram analisados a partir da perspectiva teórico-metodológica da Análise de Discurso de Linha Francesa e da Análise da Imagem. Verificou-se que embora o capítulo analisado do livro trabalhado pelos professores traga alguns avanços em relação à temática indígena, de forma geral, ainda contém, nas imagens e textos verbais, representações estereotipadas sobre os índios. Podemos constatar que os professores indígenas desconstroem, de forma crítica, as representações e discursos verbais e imagéticos contidos no livro didático, por conta de vários fatores, dentre eles: a preservação de suas tradições; costumes e riqueza cultural; o uso de materiais didáticos específicos de sua cultura e dos recursos tecnológicos disponíveis na escola; devido à formação acadêmica continuada, bem como o conhecimento da legislação específica para educação indígena. Os povos indígenas adquirem, cada vez mais, conhecimento a respeito dos seus direitos sobre a educação diferenciada e esta educação perpassa também pela construção de livros didáticos específicos e de qualidade que se adequem, ao máximo, às culturas dos povos indígenas. A pesquisa contribui para repensar as distorções ainda presentes no livro didático de História no que se refere à imagens e textos verbais sobre os índios, considerando, de forma primordial, a perspectiva discursiva de professores indígenas no contexto da escola Pataxó. Isto sinaliza a necessidade de que os livros didáticos sejam reavaliados e produzidos com a participação ou mesmo a direção contundente dos índios, tendo em vista contemplar a diversidade, riqueza e especificidades das culturas indígenas.
PALAVRAS-CHAVE: Escola indígena. Livro didático de História. Professor Pataxó. Imagens. Discursos e Representações.

AUTOR: ANA LÍDIA SANTANA BATISTA
ORIENTADOR: LUDMILA O. HOLANDA CAVALCANTE
TITULO: OS DESAFIOS DO ENSINO DE GEOGRAFIA NA RELAÇÃO CAMPO-CIDADE: provocações a partir do debate da Educação do Campo
RESUMO:
A presente pesquisa teve como objetivo central investigar o papel do ensino de Geografia, para a compreensão das relações campo-cidade, no trabalho com estudantes do Ensino Fundamental II, no município de Irará. Essa discussão foi pautada na análise da realidade da Escola Municipal Maria Bacelar – EMMB, localizada na Fazenda Trindade, Irará-BA. A pesquisa teve como pano de fundo de análise os debates da Educação do Campo, reflexão iniciada a partir dos anos 90 do século XX, protagonizada pelos movimentos sociais do campo que, articulados com outros sujeitos e instituições, deflagraram o Movimento Por uma Educação do Campo. O referido debate defende uma proposta de educação que supere o esvaziamento de conteúdo sociopolítico de forma a contribuir para que a classe trabalhadora, sobretudo a do campo, compreenda a realidade socioespacial em sua totalidade e lute pela transformação das condições que a impedem de viver dignamente. Para dar conta desta pesquisa, optei por uma abordagem qualitativa, utilizando como instrumentos as pesquisas bibliográficas e documentais, entrevistas com as professoras de Geografia, aplicação de questionários aos estudantes do Ensino Fundamental II, bem como aos seus pais. Neste estudo, a relação campo-cidade foi abordada como fio condutor que articulou todo o trabalho, entendida como categoria que estrutura o pensamento geográfico e, por extensão, o trabalho do professor de Geografia, uma vez que essa relação perpassa implícita ou explicitamente todos os temas da disciplina. Mediante este estudo, constatei que, dentre outros fatores, em decorrência da ausência de uma política pública de formação para os professores que atuam nas escolas do campo em Irará, e da inexistência de um currículo que contemple as especificidades dos sujeitos do campo, o trabalho das professoras de Geografia da EMMB tende a contribuir para uma visão dicotômica e hierárquica de campo e cidade, fortalecendo um projeto de escolarização que nega os valores camponeses, em benefício do modo de vida urbano. Desse modo, tal perspectiva de trabalho tende a colaborar, em certa medida, para reforçar a visão de inferioridade que os estudantes do campo têm construído sobre o espaço rural e, consequentemente, sobre si mesmos, enfraquecendo a luta dos camponeses pela terra, enquanto luta social em defesa da reprodução da vida com dignidade. Por outro lado, essas professoras têm consciência de que essa proposta não atende às especificidades dos estudantes do campo, se mostrando abertas à implantação de uma proposta pedagógica contra-hegemônica. É nesse campo contraditório que se insere o debate da Educação do Campo, como possibilidade de se pensar uma educação escolar que contribua para a emancipação desses sujeitos.
PALAVRAS-CHAVE: Educação do Campo; Ensino de Geografia; Campo-Cidade.

AUTOR: ANNY KARINE MATIAS NOVAES MACHADO

ORIENTADOR: Wilson Pereira de Jesus
TITULO: REDESENHANDO O CURRÍCULO DO ENSINO MÉDIO: O CASO DO PROEMI NA ESCOLA EDUCANDÁRIO OLIVEIRA BRITO – EUCLIDES DA CUNHA/BA

RESUMO:
Historicamente o Ensino Médio se constituiu como o nível de maior complexidade na elaboração de políticas públicas. Sendo marcado por um longo processo de indefinição identitária, cujas oscilações abarcavam um modelo propedêutico com destino àcontinuação de estudos em nível superior e um profissional direcionado às classes trabalhadoras. Atualmente, as políticas de reformulação do Ensino Médio tomam o currículo como foco de mudança e buscam superar essa dualidade estrutural (KUENZER, 2010) a partir de uma formação integral estruturada pelos eixos de trabalho como principio educativo, da ciência e tecnologia como forma de compreensão das transformações sociais e físicas e da cultura enquanto produção ética e estética das sociedades. Nesse cenário, o Programa Ensino Médio Inovador – ProEMI, instituído pela portaria 971, de 9 de Outubro de 2009 nasce com o objetivo de possibilitar o redesenho do currículo das escolas de modo a superar as desigualdades educacionais; universalizar o acesso e permanência; consolidar a identidade e diversidade, ofertaraprendizagens significativas; integrar e articular conhecimentos de forma interdisciplinar e contextualizada a partir de atividades pedagógicas diversificadas inseridas em macrocampos. Nesse sentido, esta pesquisa realizada na escola Educandário Oliveira Brito no Município de Euclides da Cunha/ BA teve como objetivo compreender como a instituição tem recontextualizado a proposta do ProEMI quanto à reforma curricular e como esta tem incidido nas práticas cotidianas; nas dimensões de organização da cultura e currículo escolar; assim como no acesso e permanência dos jovens na escola. Enquanto estudo de caso etnográfico, a construção doscorpos partiu da observação-participante, de análise documental, entrevistas realizadas com os coordenadores responsáveis pelo programa, com um gestor e com sete dos oito docentes responsáveis pelas oficinas. A opção pela análise dos processos de recontextualização pauta-se em Bernstein (1990, 1996) e Lopes (2008),Goodson (2013), fundamentou o diagnóstico das mudanças educacionais, Ball (2001, 2006) e Moreira (2012, 2012a, 2012b) ofereceram subsídios para a reflexão sobre as políticas educacionais e de transferência educacional – respectivamente e, por fim, Bardin (1995) imprimiu a partir da análise da enunciação os métodos de compreensão dos dados coletados.Dessa maneira, tornou-se perceptível que os processos de recontextualização do ProEMI ocorrem de maneiras híbridas, traduzidas do modelo da highschoolnorte-americana, sendo ressignificadas pelos sujeitos no cotidiano da escola. Evidenciou-se também um engessamento da proposta, na medida em que o redesenho do currículo escolar abarca apenas um modelo de atividade pedagógica: a oficina. A carência nos processos de formação docente abarcou todo o coletivo da escola. Por fim, o exame dos questionários aplicados aos estudantes que frequentam a oficina nos direcionou a reflexão sobre a categoria da juventude e da importância do protagonismo juvenil e do engajamento de todos os sujeitos nas mudanças escolares
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Médio. ProEMI. Inovaçãoeducacional. Recontextualização

AUTOR: ARIGÉSICA ANDRADE MOURA

ORIENTADOR: MARIA HELENA DA ROCHA BESNOSIK
TITULO: A LITERATURA INFANTOJUVENIL NA PRÁTICA DE LICENCIADOS EM LETRAS VERNÁCULAS: ENTRE FIOS, TRAMAS E TECITURAS



RESUMO:
i “O estético e o lúdico na Literatura infantojuvenil” na prática do licenciado em Letras Vernáculas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Partindo desses pressupostos, essa pesquisa teve como lócus a Universidade do Estado da Bahia, campus XXII, situado na cidade de Euclides da Cunha. Seus sujeitos foram seis professores das séries finais do ensino fundamental da rede pública, egressos do referido campus. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde optei pela entrevista semiestruturada como instrumento de coleta de dados e me inspirei na História de Vida. Dessa forma, pude mapear conflitos, valores, contradições, os modos como cada entrevistado percebe e significa sua realidade. Foi possível, ainda, investigar as relações, as representações, as interpretações, o que os sujeitos pensam acerca da literatura infantojuvenil em sua formação, enquanto licenciados em Letras. Para tanto, a pesquisa teve como aporte teórico autores como Arroyo (2011), Coelho (2000), Eco (1994), Faria (2010), Mortatti (2001; 2014), Cerqueira (2007), Lajolo (1983; 1996; 1998; 2007; 2015), Meireles (1984), Nóvoa (2003), Pimenta e Lima (2004), Zilberman (1987; 2003; 2005; 2014), Rangel (2009), Todorov (2009) entre outros. A inserção da Literatura infantojuvenil como disciplina em cursos que visam à formação de professores é uma questão que vem sendo timidamente discutida no meio acadêmico. Apesar de oscilar nos currículos de diversas instituições de ensino superior, esse gênero marca forte presença na sala de aula. À medida que se relega a um segundo plano esse conhecimento teórico-literário na formação do licenciado, constrói-se uma lacuna em sua formação, pois, em sua atuação enquanto docente, a literatura (infantil e juvenil) estará presente em seu dia-a-dia. A análise de dados mostrou que apenas a inserção da disciplina não se constitui como uma solução para a formação de leitores. Ao contrário, a questão de tal formação está mais associada às vivências do professor com a leitura literária do que apenas com o estudo da literatura infantojuvenil durante a licenciatura. Eis o ponto-chave desvelado: a história de leitura do licenciado. O professor, para ser mediador de leitura, necessita ser e se perceber enquanto leitor literário.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura infantojuvenil. Formação do leitor. Formação do professor. Práticas de leitura

AUTOR: BÁRBARA MERCEDES SANTIAGO FERREIRA

ORIENTADOR: SOLANGE MARY MOREIRA SANTOS
TITULO: PRÁTICA PEDAGÓGICA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL: INCLUSÃO DE ALUNO COM DEFICIÊNCIA

RESUMO:
O processo de inclusão do aluno com deficiência no espaço escolar tem desencadeado novas perspectivas para a formação do professor, a relação ensino e aprendizagem e a prática do professor. Desta forma, observa-se uma atribuição exclusiva ao professor que atua diretamente com o aluno com deficiência, no estabelecimento e garantia da inclusão escolar nas perspectivas de acesso, permanência e aprendizagem. A partir dessas reflexões, a presente pesquisa estabeleceu como objetivo geral analisar a percepção de professoras que atuam em uma escola de educação especial acerca da organização da sua prática pedagógica, em uma perspectiva inclusiva. Para alcançar a meta proposta optou-se por uma abordagem qualitativa, por oportunizar um rico detalhamento na descrição dos dados coletados, estes analisados à luz da Análise de Conteúdo (FRANCO, 2005). A escolha do referido método deu-se pela possibilidade de descrição, análise e interpretação das mensagens e enunciados de todas as formas de discurso, o contexto social de sua produção, a influência ideológica e idealizada com uma grande carga de significados. O instrumento utilizado foi a entrevista, aplicada em cinco professoras atuantes em uma escola de Educação Especial, em um município do interior da Bahia. O referido instrumento permitiu uma captação imediata e corrente das informações desejadas, com o propósito de ampliar o entendimento de como as professoras interpretam os aspectos cotidianos de sua experiência docente em uma perspectiva inclusiva. O quadro teórico utilizado como subsídio para o desenvolvimento da pesquisa teve como base as abordagens de Fontes (2000), Freire (2005), Januzzi (2012), Sacristán (1998), Stobaüs e Mosquera (2012), os quais fundamentam discussões acerca do processo educativo do aluno com deficiência e como o professor pode organizar a sua prática pedagógica em uma perspectiva inclusiva. O estudo proporcionou a apresentação do cenário escolar de uma unidade de educação especial e os conflitos e/ou desafios enfrentados pelas professoras da instituição. As análises dos depoimentos das entrevistadas apresentaram questões pontuais a respeito do olhar docente acerca da deficiência e inclusão, a docência na Educação Especial e as repercussões desta no contexto escolar, principalmente na relação ensino-aprendizagem. As narrativas evidenciaram que há um substancial distanciamento entre o que precisa ser feito e o que as docentes realizam, no entanto conseguem desenvolver atividades que valorizam a particularidade de cada aluno, respeitando as diferenças e buscando inserir o aluno em diversos contextos sociais e na aproximação da família no espaço escolar, por exemplo.
PALAVRAS-CHAVE: Prática Pedagógica. Educação Especial. Educação Inclusiva. Ensino e aprendizagem.

AUTOR: CLEUDINÉTE FERREIRA DOS SANTOS SOUZA
ORIENTADOR: MARINALVA LOPES RIBEIRO

TITULO: RELAÇÃO AFETIVA ENTRE PROFESSORA E ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR: SENTIDOS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES
RESUMO:
A pesquisa que deu origem a esta dissertação de Mestrado, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana, teve por objetivo compreender a relação afetiva entre uma professora e estudantes na prática de ensino, no contexto do Curso de Engenharia Civil, tendo como referências as suas representações sociais. O estudo, de abordagem qualitativa na modalidade Estudo de Caso, pautou-se nos princípios da Teoria das Representações Sociais e da Teoria da Complexidade. Na coleta e produção dos dados, utilizamos a observação sistemática da prática docente, tanto na sala de aula quanto no canteiro de obra, além de entrevistas com o uso de questão estímulo. A turma observada era composta por 36 estudantes. Desses, selecionamos para entrevistas 12 discentes e a docente. O estudo se referenciou em autores como Ribeiro (2004, 2009, 2010), Moraes (2003), Pinto (2005), Tassoni e Santos (2013), Damásio (2000), dentre outros, para tratar sobre o conceito de afetividade, emoção e sentimento; Ribeiro, Jutras e Louis (2005), Veras e Ferreira (2010), Carpim, Behrens e Torres (2014), Freire (1996), Postic (2007) e outros para discutir as concepções de prática de ensino; Moscovici (2003) e Jodelet (2005) para fundamentar a Teoria das Representações Sociais; Morin, 2007; Moraes, 2008; e Behrens 2007 para dar suporte à Teoria da Complexidade. A análise dos dados foi inspirada na Análise de Conteúdos de Bardin (2010). Durante a análise foram identificadas três dimensões: a) Os sentidos da afetividade na relação educativa; b) Os desafios da relação afetiva entre professores e estudantes; c) O enfrentamento dos desafios da relação afetiva na prática docente. Os resultados obtidos apontam que os sentidos atribuídos pelos colaboradores da pesquisa em relação à afetividade se vinculam: à ideia de prazer na docência; às atitudes do docente em relação aos estudantes; às qualidades pessoais do docente. Os desafios a serem enfrentados referem-se à promoção de mudanças em relação às atitudes do docente com os estudantes e às mudanças nas estratégias de ensino. No que diz respeito às possibilidades para o enfrentamento dos desafios, ficou evidente a necessidade da reflexão sobre a própria prática e a formação continuada dos professores da educação superior. Além disso, os resultados revelam que o professor afetivo é próximo, solidário, acolhedor, se peocupa com as necessidades formativas dos estudantes, respeita as diferenças culturais, dedica-se à profissão, é amigo, tem bom senso, sensibilidade, flexibilidade e humanidade ao tratar das dificuldades cognitivas e afetivas dos estudantes. A principal conclusão deste estudo foi que a centralidade da prática do professor considerado afetivo está na aprendizagem dos estudantes.
PALAVRAS-CHAVE: Afetividade. Relação professor-estudante. Ensino Superior. Representações Sociais. Teoria da Complexidade

AUTOR: ELCI NILMA BASTOS FREITAS
ORIENTADOR: MARINALVA LOPES RIBEIRO
TITULO: O ESTÁGIO DOCÊNCIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR: REPRESENTAÇÕES DE ESTUDANTES DO MESTRADO EM SAÚDE COLETIVA
RESUMO:
Este texto dissertativo, elaborado durante uma investigação desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana – Bahia, tem por objetivo compreender, mediante as representações de estudantes do Mestrado de Saúde Coletiva, a contribuição do Estágio Docência para a formação pedagógica de professores da Educação Superior. Certificamos que o componente curricular Estágio Docência é um importante espaço de formação do futuro docente universitário, lócus em que os estudantes da Pós-Graduação stricto sensu apreendem alguns saberes necessários para a prática docente, entretanto é relevante destacar que a aprendizagem da docência se estende por toda sua carreira. Para alcançarmos o objetivo traçado, realizamos uma pesquisa do tipo qualitativa, de caráter descritivo, que se fundamentou em princípios da Teoria das Representações Sociais – TRS (MOSCOVICI, 2003a, 2003b; JODELET, 1989, 2001 e 2007). Para a produção dos dados, realizamos análise documental (TRIVIÑOS, 1987) do regimento e da proposta pedagógica do Programa de Pós-Graduação de Saúde Coletiva da UEFS. Também utilizamos entrevistas semiestruturadas (MINAYO, 2006), que foram realizadas com 12 estudantes desse Mestrado Acadêmico. Para a análise dos dados produzidos na investigação, utilizamos alguns princípios da Análise de Conteúdos (BARDIN, 2011). No debate dos dados produzidos, identificamos cinco categorias, a saber: a primeira refere-se ao conceito de estágio docência; na segunda, dialogamos sobre os saberes necessários para a docência universitária; a terceira, verificamos quais a/s contribuição/ões do estágio para a docência universitária; na quarta, descrevemos o processo da experiência do Estágio Docência e, finalmente, a quinta categoria, onde apresentamos as sugestões para a melhoria da experiência do Estágio Docência, representadas por nossos colaboradores. As principais conclusões desta pesquisa enfocam que o estágio contribui para a preparação dos pós-graduandos para a docência universitária, para o desenvolvimento da identidade docente, para aquisição de conhecimentos da realidade da sala de aula universitária, para a troca de saberes com o professor experiente e, por fim, para a percepção dos mestrandos sobre a condição humana do profissional docente e a humanização nas relações que ocorrem no contexto educativo. Além dessas contribuições, os colaboradores da pesquisa enfocam a necessidade de o Programa de Saúde Coletiva dar à formação do professor o mesmo status que os estudos específicos e a formação do pesquisador possuem no currículo, tendo em vista a complexidade da docência na atualidade.Os participantes ressaltam ainda a prevalência das seguintes dificuldades durante a experiência do Estágio Docência: ausência de uma interação efetiva entre a Graduação e a Pós-Graduação, problemas estruturais e políticos que prejudicaram o estágio, dificuldades dos graduandos em compreenderem a importância das disciplinas em suas formações, dificuldade didático-pedagógica dos estagiários ao conduzir as disciplinas e embaraços dos mestrandos ao avaliar e lidar com os graduandos repetentes. Ademais, o estudo confirmou a necessidade da implantação de políticas institucionais voltadas para a formação do professor universitário, especialmente os iniciantes, que estão em período de adaptação e aprendizagem da profissão e, também, dos professores experientes, para que reflitam sobre suas práticas de ensino continuamente, no intuito de inová-las.
PALAVRAS-CHAVES: Estágio docência. Formação do Professor. Educação Superior. Representações Sociais.

AUTOR: ELIANA CARLOTA MOTA MARQUES LIMA

ORIENTADOR: MARIA HELENA DA ROCHA BESNOSIK
TITULO: MEMÓRIAS DE LEITURAS DE IDOSOS DA UATI/UEFS: RESSIGNIFICANDO SUAS HISTÓRIAS

RESUMO:
Apesar do crescimento de ações e estudos voltados para idosos nas últimas décadas, visto o progressivo envelhecimento da população brasileira, ainda há uma fragilidade das pesquisas no que se refere às histórias de leitura de idosos, bem como sobre a importância de rememorar essas histórias. Nesse sentido, esta dissertação tem como proposta identificar, reconstruir e registrar as memórias individuais de idosos, cuja problemática delineada foi a investigação das histórias de leitura desses sujeitos relacionadas com suas histórias de vida. Esta pesquisa buscou compreender como os idosos ressignificaram suas vidas tendo como referência as leituras feitas. Os participantes da investigação foram cinco sujeitos que frequentam a Oficina Memórias e Leituras da Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Estadual de Feira de Santana – Bahia. A pesquisa analisa questões relacionadas ao contexto familiar, infância, escolarização, trabalho, trajetória leitora e reflete sobre a ressignificação da vida desses idosos com base em suas memórias de leituras. A pesquisa segue uma abordagem qualitativa de cunho descritivo, tendo como base metodológica a história de vida, utilizando como instrumento de coleta de dados a entrevista, de forma a apreender o máximo possível das memórias dos sujeitos envolvidos. Os dados obtidos são analisados à luz da história cultural, da história da leitura e da rememoração. Para tanto, buscou-se suporte nas concepções de Peter Burke (2008), Roger Chartier (2004, 2009, 2015) e Ecléa Bosi (1994, 2013), entre outros estudiosos. Ao analisar as memórias dos mais velhos, é possível traçar um perfil desses leitores, constatando seus variados modos de interação com a leitura em diferentes períodos de suas vidas. O resultado do trabalho traz à tona as histórias pessoais e memórias de leitura dos idosos, revelando a importância do ato de rememorar para que esses sujeitos não só revivam momentos, acontecimentos, lembranças do passado, mas que se refaçam, se ressignifiquem e possam usufruir de um processo de envelhecimento saudável.

PALAVRAS-CHAVE: Idosos; Memórias; Leituras

AUTOR: EVERTON MENEZES SILVA
ORIENTADOR: MARCO ANTONIO LEANDRO BARZANO
TITULO: MUSEU CASA DO SERTÃO:VEREDAS E NARRATIVAS DAS EXPOSIÇÕES

RESUMO:
O presente estudo tem como objetivo principal a investigação sobre as ações pedagógicas do Museu Casa do Sertão, pertencente à Universidade Estadual de Feira de Santana, procurando analisar o percurso expositivo das visitas guiadas. Para tanto, utilizou-se um processo de pesquisa qualitativa com entrevista semi-estruturada, questionário, análise de documentos da instituição e observações das exposições. O referencial teórico está construído de acordo com as ideias de Certeau (1996), Canclini (2013), Albuquerque Júnior (2011), Cury (2006) entre outros autores. O discurso do seu idealizador, Eurico Alves Boaventura, está bastante presente nas exposições, mas ele também convive com alguns elementos da modernidade na utilização de determinados materiais industrializados presentes em alguns objetos. A perspectiva histórica é marcante nas exposições, embora elas versem sobre outros assuntos como, por exemplo, a relação do ser humano com a natureza. Estes elementos discursivos se relacionam com outras produções discursivas sobre o Nordeste acentuando um repertório cultural que produz um cenário tipicamente veiculado pela mídia. Além disso, observou-se uma tendência didatizante nas exposições, levando em consideração que a maior parte do público do Museu é escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Museu Casa do Sertão, Exposição, Educação

AUTOR: GABRIELA BARBOSA SOUZA
ORIENTADOR: LÍLIAN MIRANDA BASTOS PACHECO
TITULO: OS CONTOS DO POVO INDÍGENA PATAXÓ HÃHÃHÃI: UM DIÁLOGO INTERCULTURAL


RESUMO:
A Educação Escolar Indígena tem buscado desenvolver práticas pedagógicas que contemplem em seu currículo conteúdos universais em diálogo com suas cosmovisões culturais. O conhecimento da Língua Portuguesa oral e escrita é considerado como um dos meios que os povos indígenas possuem para conhecerem seus direitos na sociedade brasileira e possam socializar seu acervo cultural para a sociedade envolvente. Faz-se relevante a realização de estratégias de ensino que contemplem os tipos e gêneros textuais que circulam em diversos contextos sociais, com os quais os membros das sociedades indígenas entram em contato, dentre estes os contos locais. A presente pesquisa objetiva analisar quais as funções dos contos fantásticos para a cultura indígena Pataxó Hãhãhãi. Para tanto, fez-se necessário conhecer o ato de narrar na cultura Pataxó Hãhãhãi, coletar os contos dentre os membros da comunidade indígena e identificar as características socioculturais e linguísticas dos referidos contos. A metodologia utilizada tem caráter etnográfico e iniciou-se com o mapeamento do território indígena Pataxó Hãhãhãi em suas regiões, além do levantamento dos nomes de alguns idosos e adultos da comunidade, considerados como conhecedores das narrativas locais pelos membros da própria comunidade. Buscou-se contemplar narradores das diversas etnias que compõem o povo Pataxó Hãhãhãi, sendo estas Baenã, Pataxó Hãhãhãi, Tupinambá, Kariri-Sapuiá, Kamacã, entre outras. Para coleta de dados, foram utilizadas as seguintes técnicas de pesquisa: observação, diário de campo, entrevista semiestruturada e o instrumento questionário. A análise de dados desenvolveu-se em primeiro momento a partir da identificação das características socioculturais e linguísticas dos contos fantásticos do Povo Indígena Pataxó Hãhãhãi, evidenciando assim suas funções. Foram constatadas as seguintes funções dos contos fantásticos do referido grupo cultural: mecanismo de organização social, através da socialização de valores culturais entre seus membros; organizador psicossocial, ao possibilitar a manifestação de conflitos do psicológico humano e, enquanto enunciado organizado com uma identidade estrutural formal da Língua Portuguesa. Compreende-se que os contos fantásticos do povo Pataxó Hãhãhãi trazem, em seu conteúdo, conhecimentos da comunidade local, além de tematizar conflitos existenciais humanos pessoais e coletivos. Por outro lado, os contos do referido grupo cultural reafirmam a estrutura formal da linguagem narrativa já evidenciada em outros estudos linguísticos.
PALAVRAS-CHAVE: Cultura indígena; Narrativas; Conto


AUTOR: ILNAH DE OLIVEIRA FERNANDES

ORIENTADOR: WELINGTON ARAÚJO SILVA

TITULO: PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO FÍSICA:
ANÁLISE EPISTEMOLÓGICA DOS ANAIS DO GRUPO DE TRABALHO TEMÁTICO “INCLUSÃO E DIFERENÇA” DO COLÉGIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE (CBCE) DE 2003 A 2013

RESUMO:
Esta pesquisa tem como fonte de estudo e análise os artigos publicados nos anais do Grupo de Trabalho Temático Inclusão e Diferença do Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (CONBRACE), entre os anos de 2003 e 2013. O objetivo geral é identificar as bases epistemológicas presentes na produção do conhecimento em Educação Física, a partir dos anais do citado Grupo de Trabalho Temático (GTT), e como estas bases respondem à questão da inclusão de alunos com deficiência. Com este intuito, apresentamos como se instituem as relações entre a caracterização da pesquisa, as principais temáticas abordadas e as perspectivas de inclusão em cada abordagem encontrada. Utilizando um instrumento de análise em consonância com a matriz paradigmática, que aponta os níveis técnico, metodológico, teórico e epistemológico. Este procedimento metodológico possibilitou perceber nos 31 artigos analisados, que 90% utilizaram a abordagem Fenomenológica-Hermenêutica e 10% a abordagem Crítico-Dialética, sendo que não foi identificado nenhum artigo que utilizou a abordagem Empírico-Analítica. Verificamos que cada nível do instrumento utilizado para análise dos artigos deixou evidenciada a predominância da abordagem adotada, ou seja, nos artigos em que a abordagem Fenomenológica-Hermenêutica foi predominante, foi possível observar que a discussão é centrada na compreensão dos fenômenos e onde estes têm como base. Nos artigos em que utilizaram a abordagem Crítico-Dialética, constatamos que a discussão tomava como base as questões do contexto social e as alternativas de transformação deste. Diante das limitações encontradas nesta pesquisa, tanto pessoais quanto de tempo para aprofundar alguns debates, se faz necessário que outras pesquisas sejam feitas na perspectiva de ampliar e avançar nas contribuições da produção do conhecimento da Educação Física, da exclusão/inclusão apontando os diversos conflitos que implicam neste contexto.

PALAVRAS-CHAVE: Produção do Conhecimento. Educação Física. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Inclusão

AUTOR: LUDIMILA DE OLIVEIRA BARROS
ORIENTADOR: MARIA HELENA DA ROCHA BESNOSIK
TITULO: NAS PÁGINAS DO LIVRO-MUNDO, TRAVESSIAS DO ALFABETIZAR: SABERES E PRÁTICAS DE PROFESSORES ALFABETIZADORES DO TOPA/UEFS
RESUMO:
Este trabalho busca compreender as práticas pedagógicas dos professores alfabetizadores do Programa Todos pela Alfabetização implementado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (TOPA/UEFS), e os saberes mobilizados por eles em suas “travessias” do alfabetizar. A investigação situa-se no campo da pesquisa qualitativa, amparada no paradigma emergente de ciência (SANTOS, 1995), e em diálogo com a abordagem da História do Cotidiano (CERTEAU, 1998). O lócus foi a cidade de Feira de Santana, visto que os colaboradores desse trabalho atuaram como alfabetizadores do TOPA nesse município, e os sujeitos informantes dessa pesquisa foram um total de seis: cinco alfabetizadores do TOPA e uma coordenadora geral do programa entre os anos de 2007 a 2011. Além das entrevistas narrativas, utilizamos documentos da formação docente do TOPA, disponibilizados pela Pró Reitoria de Extensão da UEFS (PROEX/UEFS), na produção das análises de dados que constam nesse trabalho. As reflexões acadêmicas foram tecidas a partir dos pressupostos teórico-metodológicos da Educação de Jovens e Adultos (FREIRE, 2011), em diálogo com o campo da Formação de Professores e Saberes Docentes (TARDIF, 2012; CHARLOT, 2000). Das muitas lições apreendidas, é possível afirmar que aprender e ensinar a leitura implica, necessariamente, na compreensão do mundo que nos cerca e na apreensão das realidades que nos alcançam. Essa interpretação nos ajudou a pensar o cotidiano e as experiências vivenciadas nos processos rotineiros de vida-formação, como produtores de saberes experienciais tão relevantes para a prática docente. Assim, concluímos que: 1) a prática pedagógica dos alfabetizadores do TOPA/UEFS, se implicam, necessariamente, com os seus repertórios culturais e de seus alfabetizandos; 2) os alfabetizadores do TOPA/UEFS, no cotidiano de suas salas de aula, dão outros significados à formação docente que recebem, no sentido de obterem êxito nos processos de alfabetização; e 3) os saberes mobilizados pelos alfabetizadores, em suas travessias do alfabetizar, se (con)fudem com suas experiências de “ser e estar” no/com o mundo.
PALAVRAS-CHAVE: TOPA/UEFS. Alfabetizadores. PráticaPedagógica. Saberesexperienciais.

AUTOR: LUZINEIDE VIEIRA DE SOUSA

ORIENTADOR: ELENISE CRISTINA PIRES DE ANDRADE

TITULO: TENDAS DE UMA FEIRA:
EXPRESSÕES E SENTIDOS NA PRODUÇÃO DE (ENTRE) LUGARES EM JACOBINA, BA


RESUMO:
Esta dissertação procura indicar/apreciar, por meio das expressões e imagens em movimentos, os (entre) lugares que se produzem na feira livre de Jacobina/BA. Os afetos explorados foram percebidos das conversas, dos lugares sônicos de desejos, ritmos, fluxo sanguíneo, a nos provocar a pensar também as educações, o cotidiano e as diferenças culturais. Para tanto, caminhamos na cartografia das expressões através das conversas e fotos; cartografia das sensações, nos possibilitando entrar/sair do que “definimos” como conhecimento; e experimental, percebendo as intensidades que acontecem no lugar e criam territórios que se compõem em uma feira de vários lugares, (re) inventada nos movimentos dos desejos, com novas presenças no mundo, que nos coloca em crise ao pensarmos a educação para fora, à medida que nos (in) conformamos com a fixação de que haja blocos fechados, um espaço único de cultura e de ensinar e aprender-escola.

PALAVRAS-CHAVE: Expressões. Diferenças culturais. Educações. Feira livre.

AUTOR: MARTA MARTINS MEIRELES
ORIENTADOR: MIRELA FIGUEIREDO SANTOS IRIART
TITULO: DENTRO E FORA DE SI: MODOS DE SER/ESTAR JOVEM NA ESCOLA

RESUMO:
Esta dissertação investigou como os modos de ser jovem se configuram e reconfiguram o contexto-escola. Neste sentido, a partir da abordagem de natureza qualitativa, em diálogo com a perspectiva metodológica da Rede de Significações e da Pesquisa Cartográfica, busquei capturar discursos, expressões e práticas juvenis que se estabelecem na interação jovem-escola, considerando aspectos contextuais, subjetivos e específicos à realidade investigada. A produção dos dados foi se delineando processualmente, em uma malha composta por elementos de natureza semiótica - contextos, interações e práticas discursivas, através de observações assistemáticas realizadas em uma escola pública, com registros no diário de campo e os grupos de discussão, que contaram com a participação de oito jovens da referida instituição. Além disso, utilizei a produção de fotografias para subsidiar a construção de narrativas sobre o que foi vivenciado. Esse recurso metodológico foi usado, em alguns momentos, como estratégia para promover a conversa com os jovens, e ao final, como uma perspectiva para apresentar os dados, a partir de três cenas: sociabilidades entre os jovens; expressões do protagonismo juvenil e ser jovem, ser aluno. Os jovens mostraram que as sociabilidades, ou seja, a relação com os pares, assumem diferentes dimensões: afetiva, reflexiva e formativa. O encontro com o outro e as conversas no ambiente escolar, respondem à diferentes demandas: ajudam no enfretamento dos dilemas e desafios; possibilitam movimentos para além de si; promovem o lugar do diálogo/compreensão e provocam o reconhecimento de si e do outro. Os participantes da pesquisa revelaram o potencial das expressões do protagonismo juvenil no espaço escolar, através da participação em instâncias coletivas, do diálogo e da participação discursiva como forma de resistência às políticas de silenciamento e às relações de poder verticalizadas que se instauram na escola. Assim, esses jovens assumem lugares discursivos, políticos, estéticos e pedagógicos, reconfigurando a lógica escolar e constituindo, por vezes, posições e práticas não previstas institucionalmente. As condições de ser aluno e ser jovem, ao se configurarem em contextos ambivalentes, demarcam a relação entre os jovens e o contexto-escola como um espaço marcado por tensões, limites, resistências e possibilidades. Os jovens transitam pelo espaço estriado e liso, e, desse modo, ora se submetem, ora negociam, ora escapam, ressignificando e reconfigurando o contexto do qual fazem parte. Assim, seja pela resistência, pela (não) participação, pelo desejo e a necessidade de construírem outros espaços de sociabilidades/formativos, para além da sala de aula e da condição de aluno, os jovens insistem e imprimem na escola, ainda que pelas bordas e escapes, marcas e expressões juvenis.
PALAVRAS-CHAVE: Modos de ser jovem. Escola. Sociabilidades. Expressões de protagonismo

AUTOR: MAURA EVANGELISTA DOS SANTOS
ORIENTADOR: DENISE HELENA PEREIRA LARANJEIRA
TITULO: JUVENTUDE E EDUCAÇÃO NÃO FORMAL: AS RODAS E OUTRAS VIVÊNCIAS NA ASSOCIAÇÃO DE CAPOEIRA ARTE E RECREAÇÃO BERIMBAU DE OURO NA, CIDADE DE SANTO AMARO - BA.
RESUMO:
O presente trabalho trata dos processos educativos desenvolvidos a partir da relação entre juventude, educação não formal e capoeira, uma das mais importantes expressões culturais de raízes africanas no Brasil. Tem como objetivo compreender as implicações socioeducativas e culturais das experiências vivenciadas pelos jovens acolhidos pela Associação de Capoeira Arte e Recreação Berimbau de Ouro – ACARBO, da cidade de Santo Amaro da Purificação, no Estado da Bahia. Perseguimos os significados e sentidos destas vivências na percepção dos sujeitos envolvidos, e num território demarcado pela vulnerabilidade socioeconômica e ao mesmo tempo por uma memória histórica e afetiva perpassada por distintas formas de pertencimento, identidades e sociabilidades. A pesquisa imbricada na cultura popular e na cosmovisão africana é de caráter etnográfico, e contempla a observação participante e as entrevistas abertas realizadas com três jovens e um Mestre de Capoeira. No plano teórico-metodológico, para o cenário investigado, estabeleço um diálogo, entre outros, com os seguintes autores: ABIB (2005), BARROS (2009), DAYRELL (1996; 2007); MACEDO (2004), PETIT, (2015), SILVA E PETIT (2011; 2013), GOHN (2006; 2010); PAIS (1996; 2003); PARK (2005). Concluo que as experiências dos/das jovens no interior da associação, no convívio intergeracional associadas à cultura popular e à cosmovisão africana, transpõem tanto os limites da educação formal, que nem sempre acolhe no cotidiano e currículo escolar o saber originário da cultura afro-brasileira, quanto da própria cultura de massa veiculada nos meios midiáticos hegemônicos. A prática da capoeira aliada a outras dinâmicas pedagógicas, a exemplo das rodas de conversa, oficinas, aulas de treino, teatro, etc. na referida associação, por seu caráter educativo, contribui para a formação cidadã dos participantes, revelando possibilidades de emancipação social e cultural. Além disso, as práticas educativas mediadas pela arte corporal podem representar uma apropriação da cultura de pertencimento étnico, trazendo novos significados e dispositivos de resistência e enfrentamento às situações de exclusão social.
PALAVRAS-CHAVE: Juventude, Educação não formal, Capoeira; Inserção sociocultural.
Juventude, Educação não formal, Capoeira; Inserção sociocultural.

AUTOR: MONA RIBEIRO NASCIMENTO

ORIENTADOR: MARCO ANTÔNIO LEANDRO BARZANO

TITULO: MEDIAÇÃO EM MUSEUS DE CIÊNCIAS:
REFLEXÕES SOBRE POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO MUSEAL
RESUMO:
A presente dissertação foi orientada com o objetivo geral deconhecer, a partir das narrativas de profissionais de educação museal,as concepções de museu, educação e ciência que norteiam os processos de mediação humana no Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, vinculado ao Instituto Butantan de Saúde Pública e localizado na cidade de São Paulo e do Museu Antares de Ciência e Tecnologia, vinculado à Universidade Estadual de Feira de Santana e localizado nessa mesma cidade.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que contou com material empírico-analítico obtido a partir de entrevistas semiestruturadas, realizadas com onze sujeitos, gestores em educação e mediadores/educadores, atuantes nos museus acima mencionados.
A partir das narrativas desses sujeitos, foi possível estabelecer relação entre as atividades educativas dos espaços pesquisados e os princípios propostos para a Educação Museal expressos na Carta de Belém, documento redigido coletivamente por profissionais de educação museal no I Encontro Nacional do Programa Nacional de Educação Museal que aconteceu durante o 6° Fórum Nacional de Museus, em novembro de 2014, na cidade de Belém do Pará.
Busca-se com esse trabalho refletir sobre possibilidadesda educação museal e evidenciar a necessidade de fortalecimento desse campo que reconhecemos como estando em conformação.

PALAVRAS-CHAVE: educação museal, mediação, museus de ciência e tecnologia

AUTOR: NATHALIE NUNES DALTRO DE CASTRO
ORIENTADOR: ELENISE CRISTINA PIRES DE ANDRADE
TITULO: IDENTIDADES DE GÊNERO NO ESPAÇO ESCOLAR:SILÊNCIOS E FALAS
RESUMO:
As identidades de gênero ocupam todos os espaços, e, em especial o espaço escolar. Ali são disciplinarizadas, silenciadas, através de diversos mecanismos de silenciamento, como, por exemplo, as políticas públicas curriculares, as ações cotidianas entre professores, funcionários e alunos, a imposição de condutas heteronormativas no currículo oculto, em processos que ocorrem desde a mais remota infância até o final da trajetória escolar e que não são restritos ao espaço escolar, mas que ajudam a compor modelos de sociedade. No entanto, os corpos não são dóceis, apesar de moldáveis, submetidos à ordem, também produzem falas, buscam espaços de subversão, (des)caminhos. Assim, questiono nesse trabalho como as escolas in(ex)cluem as identidades de gênero no espaço escolar e como os sujeitos que a compõe (des)constroem modelos e normas. Busquei responder a esse questionamento através da imersão nas dinâmicas escolares, a partir de espaços para além do prédio escolar, mas também nele, principalmente por meio virtual. Compreendendo que a internet tem um grande potencial junto às dinâmicas juvenis utilizei o aplicativo para celularesWhatsappe a rede de relacionamento Facebook, como fio condutor para promoção de debates acerca das identidades de gênero. Neste trabalho, articulam-se estudos foucaultianos, estudos pós-críticos e estudos queer que foram costuradas aos dados da pesquisa de campo, dados estes que foram coletados através dos diálogos no aplicativo para celulares, na rede social, nos encontros presenciais, por meio de entrevistas com professores e funcionários e da análise de projetos estruturantes da unidade escolar com a temática sobre gênero e sexualidade. A pesquisa não propõe modelos, pedagogias, mas desloca possibilidades de produzir outras lógicas de ensino, mesmo dentro de escolas que pautam pela heteronormatividade através de relações capilares, micro poderes, produzindo assim fagulhas subversivas.
PALAVRAS-CHAVE:identidades de gênero, currículo, redes sociais, silêncios

AUTOR: ROSANA FERNANDES FALCÃO

ORIENTADOR: MARIA HELENA DA ROCHA BESNOSIK

TITULO: PROFESSOR LEITOR, DO IMAGINÁRIO AO REAL: IMPLICAÇÕES DO PRÓ-LETRAMENTO NA FORMAÇÃO DOCENTE

RESUMO:
A experiência leitora vivenciada, aliada a compreensão de que o professor é o principal agente de formação de alunos leitores me instigou a investigar a sua formação leitora, da pessoa do professor, na perspectiva de que esta apresente a literatura como uma forma de lidar com o mundo, favorecendo a incorporação da leitura à vida pessoal e profissional, tendo em vista a construção de uma prática educativa qualificada. Nessa perspectiva, as reflexões tecidas nesta investigação têm como objetivo compreender quais as implicações do Programa de Formação Continuada Pró-Letramento no processo de constituição do professor leitor. Assim, a sustentação teórico-metodológica foi ganhando sentido a partir dos princípios da abordagem qualitativa, elegendo como dispositivos de recolha de “dados” a entrevista narrativa com quatro professoras da Rede Municipal de Ensino de Feira de Santana que fizeram o curso no ano de 2008, bem como a consulta aos documentos que subsidiam o trabalho do Pró-Letramento. No desenvolvimento dessa produção, foi estabelecido um diálogo teórico/empírico dos percursos formativos dos sujeitos entrevistados com teóricos que versam sobre formação docente, a saber: Nóvoa (1992;2009); Gatti (2006;2010); Freire (1995), dentre outros, bem como estudiosos da área de linguagem, mais especificamente em leitura, tais como: Zilberman (1991/1992/1988); Lajolo (1988;2004); Bakhtin (1986;2005;2006); Geraldi (2004); Travaglia (1996); Yunes (2012); Chartier (1994), dentre outros. A presente investigação revela que o foco principal do Curso Pró-Letramento é a formação do aluno leitor, não se constituindo portanto em alvo de preocupação e discussão deste curso a formação leitora do professor. O que destoa da sua proposta teórica, ao propor uma concepção de formação continuada de professores amparada na reflexão, na autonomia, na formação da identidade profissional e na discussão. Cientes das limitações das políticas de formação continuada na área de linguagem esta pesquisa indica para a necessidade de investir em um processo formativo que tenha como cerne a formação leitora docente, conforme clamam os professores entrevistados.

PALAVRAS-CHAVE: Formação continuada de professores; Leitura; Professo-leitor

AUTOR: VANESSA BATISTA MASCARENHAS

ORIENTADOR: ANTONIA ALMEIDA SILVA

TITULO: PROJOVEMURBANO:CONCEPÇÕES DE FORMAÇÃO DE JOVENS E IMPLICAÇÕES COMO POLÍTICA COLABORATIVA (2005-2013)


RESUMO:
A presente pesquisa buscou problematizar as concepções de formação de jovens do ProJovemUrbanoe suas possíveis implicações como Política Colaborativa no período de 2005 a 2013. O estudo foi orientado pela seguinte questão: Quais as concepções de formação de jovens do ProJovemUrbanoe em que medida as concepções enunciadas se constituem como expressões e vetores da “Política Colaborativa”, que vem orientando as políticas educacionais brasileiras no marco da Pedagogia das Competências? Parte-se do pressuposto que as políticas públicas como produto das tensões, nos proporciona em seus estudos refletir sobre o papel do Estado e os projetos de sociedade em disputa. Como objetivo geral buscou-se analisar as concepções de formação de jovens desse programa e suas possíveis implicações como Política Colaborativa. Assumiu-se como orientação epistemológica uma perspectiva histórico-crítica, em diálogo com autores tais como Neves (2005), Ramos (2006) e Shiroma, Garcia e Campos (2011). Neste marco, o trabalho teve como categorias de análise Juventude, Política Colaborativa e Pedagogia das Competências. Para execução dessa pesquisa foi utilizada a metodologia qualitativa e como técnica a pesquisa documental por meio do método de Análise de Conteúdo. O estudo teve como fontes documentos oficias impressos e digitais que regeram o ProJovemno período de 2005 a 2013, a exemplo de leis, relatórios, projetos, manuais e peças de propaganda do programa, levando em consideração o contexto em que foram produzidos. A pesquisa evidenciou que o ProJovemUrbanoapresenta como discurso oficial a perspectiva de formação integral, com ênfase na educação do cidadão participativo e inserido no mundo do trabalho, a partir do desenvolvimento do protagonismo juvenil. O estudo com o programa revelou, todavia, que a concepção de formação implícita à proposta é fundada na perspectiva de adaptação dos jovens aos moldes capitalistas, por meio da adequação às demandas do mercado de trabalho, voltado para o desenvolvimento de competências e desenvolvimento de valores de cooperação condizentes com à Política Colaborativa. Nesse sentido, esse programa está de acordo com a formação de um homem colaborador, que busca exercer uma cidadania de qualidade nova, mas sem questionar a essência do capitalismo e a desigualdade social que dela provém, ou seja, o ProJovemUrbanoem sua proposta de formação integral, possui implicações como Política Colaborativa. Assim, a proposta do programa de superação da situação de exclusão dos jovens não é efetivada, primeiro por não ser essa a real intenção do programa e segundo porque os dados do IBGE indicam que os jovens, público alvo do programa, permanecem em condições sociais precárias, com baixa renda e impossibilidade de conciliar trabalho e estudo.
PALAVRAS-CHAVE: ProJovemUrbano, Juventude, Política Colaborativa e Pedagogia das Competências.
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